segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Lucidez


Estou perdendo a visão, mas não estou perdendo você. Estou com sua aliança junto à minha, lado a lado, em meu dedo. E assim sinto que o nosso amor está cada vez mais vivo. E assim será até a hora do nosso reencontro, quando estaremos, juntos para sempre. Em breve, na eternidade.

Marina V. Medeiros

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Meus versos


Quisera saber
a opinião de alguém
que pudesse sentir
o que em meus versos tento dizer.
Quisera que alguém
dissesse a verdade
usando também
um pouco de bondade,
pois meus versos são tristezas
que transbordo em saudades.
Quisera que alguém
olhando minhas flores
sentisse o perfume
dos sonhos que se foram,
e tentasse dizer
se as posso pintar
e se as devo colher.
 
Pois as flores desejo
a alguém deixar,
mas quero que sejam
flores de invejar.
Sim, quero que saibam
que tudo que tenho: meus versos,
são teus, de tanto amar.
 
Marina V. Medeiros

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Os antepassados


Quem? Aquelas velharias todas!

Este é o engano desta juventude, que acha que só tem que se incomodar com pai e mãe. Quando muito, avô e avó. É preciso incutir no mundo dos jovens o respeito para com seus antepassados. Compete a nós (os futuros antepassados) mostrar o significado de tê-los. O respeito aos antepassados deve ser cultuado por cada membro de uma família, e não ver os mais jovens tratando-os como uma “velharia”. O respeito aos antepassados deve ser cultuado por cada membro de uma família. Esse respeito é essencial para educação das gerações futuras.

É verdade que a culpa desta falta de respeito é exclusivamente nossa, os “futuros antepassados”, que não ensinamos às gerações futuras o papel que representam os antepassados. Não são só os barões assinalados e outros personagens brasonados que devem ser cultivados.  Por exemplo: o sapateiro cujo filho provavelmente aprendeu o ofício do pai, irá ter respeito pelo pai, mesmo sem saber quem foi seu avô, e mesmo sem ter a ideia de que eles são seus antepassados.
A família engloba os vivos e os que já morreram, que, portanto, devem ser vistos com respeito. Eles são exemplares do que é uma família. No continente africano existe esse culto respeitoso aos antepassados. Inclusive, é assim que a lembrança dos que vieram antes passa a ser parte da história de um povo, de uma nação. Podem incutir nos seus futuros filhos. A ideia de que eles formam uma família, família essa que pode ser unida a outra família e a diversas outras, que irão formar uma cidade; e se juntarmos outras cidades a ela, teremos um país. Quando se unem as histórias de um povo, ou seja, de uma nação, forma-se a história da humanidade.


Marina V. Medeiros

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Por quê?


Estou com a certeza de que esta será mais uma noite insone, como tantas outras que amarguei. Cabeça cheia de indagações, sem resposta, apenas o latejante: por quê?
Quando precisei de sua ajuda para enfrentar um A.V.C., o que recebi foi apenas a declaração de que estavas me abandonando, encerrando o nosso casamento. Por quê?

Sempre tive que aceitar o relato de suas conquistas amorosas, em silêncio. Por que aguentei a presença de sua amante por oito anos, quando não cumpria juramento feito no altar: na riqueza, na pobreza, na saúde ou na doença, quando dividia seu amor por três e eu dividia o meu por dois? Por quê?
Por que tinha de ser assim, durante anos, na calada da noite, a cabeça e o coração martelando com todas estas perguntas? Consegui chegar até o fim, sempre dando e pouco recebendo. Por quê?

Hoje, sozinha, faço a pergunta que na minha angústia e fraqueza não tive coragem de fazer-te. Por que você não pode me amar, como eu sempre te amei. Por quê?

Marina V. Medeiros

segunda-feira, 5 de março de 2012

Momento

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A noite é fria,
O céu é lindo,
A noite é nossa.

O luar é doce,
A hora é escura,
A noite é nossa.

O desejo é fogo,
O prazer é momento,
A noite foi nossa.

A saudade... é minha.

Marina V. Medeiros
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terça-feira, 26 de julho de 2011

Pecado


Sinto-me tua, só tua
Mas a outro amei,
Com paixão,
Com loucura,
Com outro pequei.
Meu corpo é teu, só teu,
Mas a outro beijei,
Em carícias,
Com desejo,
A outro me entreguei.
Sinto torturas,
Pois sendo só tua,
Com outro amei,
E nele não te encontrei.

Marina V. Medeiros
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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Uma anedota na roça


Mané Olimpo e Zé do Brejo são dois roceiros empregados do fazendeiro Orestes, que era dono da maior parte das terras da região. O patrão encumbiu os dois caipiras a ir desbravar um sítio que havia comprado. O sítio era muito distante da civilização e para se chegar na cidade mais próxima, tinha-se que andar três dias. Carro não chegava lá, pois atravessava riacho onde a ponte estava prestes a cair, subia morrete, atravessava mata fechada cheia de animais ferozes até chegar ao vilarejo onde havia o primeiro sinal de civilização: que era a casa do vigário. Lá, não havia nada além de sua moradia, nem telefone, nem posto médico ou policial.
Já no local, cada um dos caipiras começou a trabalhar o terreno com suas ferramentas. O tempo passou depressa, sem se darem conta. Foi no terceiro mês de trabalho duro que aconteceu um grande imprevisto. Zé do Brejo da um grito de repente e cai no chão contorcendo-se de dor. Mané Olimpo ainda tem tempo de ver a cobre altamente venenosa arrastar-se no chão até entrar em um pequeno buraco na terra. Sem pensar duas vezes, ele rasga um pedaço de sua camisa e entrega ao amigo para amarrar no local da picada e foi depressa buscar socorro. Andando rápido, por vezes correndo, começa a longa viagem. E, para o azar do amigo que ficara agonizando, como se não bastassem todos os obstáculos, começara a chover. No caminho, dizia palavras que lembrava das orações da mãe: “Jesus, Maria e José!”.
Chegando ao vilarejo, teve a sorte de encontrar um amigo do pároco que estava visitando-o. Mané Olimpo apressou-se em contar a história do amigo, que tinha acontecido já há três dias. Após ouvir atentamente, o amigo do padre se apresentou: “Meu nome é doutor Homero.”. Mané Olimpo exclamou: “Graças a Deus! A cura chegou pro meu amigo Zé do Brejo.”. O médico começou a explicar os procedimentos: “No lugar da picada da cobra você faz um pequeno corte com uma faca e suga todo o veneno. Mas chupe todo o veneno e bote pra fora, não engole. Faça isso chupando muito e cuspindo tudo fora.”. Agradeceu ao médico e voltou correndo para salvar o amigo dizendo baixinho: “Jesus, Maria, José, aguente firme, meu quase irmão, Zé do Brejo, estou levando a cura…”.
Depois de dias de caminhada, avistou ao longe o amigo caído e gritou: “Aprendi a cura!”. Então perguntou ao amigo, já com a faca na mão para cortar e chupar o veneno: “Onde a cobra te picou, Zé?”. Zé do Brejo, agonizando, aponta para o pênis, roxo, todo inchado, e pede ao amigo: “Salva minha vida, Mané…”. Mané Olimpo arregalou os olhos, ficou de pé e falou: “Então… Eu falei com o doutor e ele disse que você vai morrer mesmo!”. Mané não quis chupar o pinto do amigo, nem para salvar a sua vida. Não há relatos sobre o final dessa história, mas, provavelmente, ele não foi nada feliz.

Marina V. Medeiros
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